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quarta-feira, 27 de março de 2019

Conhecereis a verdade e ela vos libertará


Andreia Regina Moura Mendes
            No Novo Testamento, encontramos no Evangelho de João, capítulo oito, uma passagem que narra um importante debate que Jesus realizou no templo judeu. Nessa discussão, Jesus afirma ser a luz do mundo e indica que a sua autoridade e missão foram designadas por Deus.
            Jesus indica que as suas palavras derivam do que o Pai o ensinou e que por essa razão, seus passos são guiados a partir dos ensinamentos que derivam do próprio Deus. É importante destacar a passagem revelada em João (8:31-32): “Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade e ela vos libertará”.

            O primeiro ponto relevante nessa discussão é a importância que Jesus confere ao aprendizado dos preceitos divinos. Ele se coloca como aprendiz do Pai Celestial que veio ao plano físico para se tornar mestre da verdade e assim, ensinar outros a andarem no caminho do bem e assim obterem a luz da vida.
            O outro ponto de destaque é a ênfase que Jesus confere ao objetivo de aprender a verdade, que é a libertação do pecado. Ora, ele mesmo reconhece que os judeus de sua época não compreendiam como o mal praticado pode paralisar a sua evolução rumo à vida eterna, e Jesus tenta dissuadi-los de permanecerem na mentira, perpetrada pelo mal, e assim, buscarem compreender a visão de Deus para a humanidade.
            Jesus se coloca primeiro como um humilde discípulo dos ensinamentos de Deus e em seguida, se apresenta como mestre da sua verdade e da chave para a libertação da morte eterna. E como nós podemos conhecer a liberdade e alcançar a libertação preconizada por Jesus Cristo há mais de dois mil anos?
            Inicialmente, devemos lembrar que a Doutrina dos Espíritos é baseada nos ensinamentos de Jesus Cristo e no conhecimento sobre as leis divinas, sendo assim, todos e todas que almejam a sua passagem para a vida eterna em mundos ditosos, necessitam primeiro aprender sobre a palavra de Deus, sua verdade e suas leis.
            Além do estudo das obras codificadas pelo professor Denizard Rivail, é importante se apropriar de forma estruturada dos princípios da religião dos espíritos a partir  do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita. Sabemos que o Espiritismo é uma doutrina que tem como seus três pilares, a religião, a filosofia e a ciência, dito isto é importante destacar que a Federação Espírita Brasileira criou no ano de 1983 um curso no qual é possível em um período programado de dois anos, compreender os princípios da doutrina para se responder às exigências da vida atual, com fins de se aprimorar para a própria evolução.
            O curso é dividido em dois volumes e no primeiro pode-se aprender sobre o aspecto tríplice de nossa doutrina, o contexto de criação do Espiritismo, e os elementos principais, Deus, a existência e sobrevivência do espírito, sua capacidade de comunicação, o processo de reencarnação, como também sobre a pluralidade dos mundos habitados e as primeiras Leis Naturais. Quanto à segunda parte do curso, os temas abordados são as Leis Morais, as Esperanças e Consolações.
            Diante do exposto, é de suma importância retomar o conselho de nosso mestre Jesus, que nos orienta que devemos nos apropriar da verdade e assim nos libertar do ciclo de provas e expiações para a partir desse conhecimento posto em prática, desfrutar da vida eterna.
Referências bibliográficas:
ALMEIDA, João Ferreira de (tradutor). Bíblia Sagrada. Novo Testamento. 2 ed. Barueri, SP: Sociedade bíblica do Brasil, 1993. p.84-85.
ROCHA, Cecília (organizadora). Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita: programa fundamental. 2 ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2011. V.1; 336 p.  
ROCHA, Cecília (organizadora). Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita: programa fundamental. Brasília: FEB, 2015. V.2; 241 p.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Hamsa: um novo amuleto

Olá gente!
Tudo bem? Espero que sim. Por aqui vou colocando tudo nos eixos com muita fé e determinação. Não esquecendo que desde o meu aniversário ganhei de amor marido uma força extra: um colar com um pingente Hamsa, ou como é mais conhecido, a mão de Fátima.

A mão é um símbolo da antiguidade oriental, sendo usada pela primeira vez pelos fenícios como amuleto e depois incorporada pelos árabes. A presença de um olho no centro da palma é atribuída aos árabes também, como significado da onisciência e onipotência divina. Vale a pena lembrar que sempre chamamos de "olho grego", mas no oriente médio é chamado de "olho árabe" ou "olho turco".

https://www.greenme.com.br/significados/6023-hamsa-lenda-significado-mao-de-fatima

Mas quem é Fátima? é a filha caçula do Profeta Maomé e é considerada uma mulher santa, para os muçulmanos. Ela é também considerada pura e sagrada, mestra das mulheres do mundo, segundo Blenda Mallon.

Ilustração de Fátima.



Presente de amor marido, Coleção da Vivara.
Mas o que significa a Hamsa ou Mão de Fátima? segundo o livro Como compreender símbolos: guia rápido sobre simbologia nas artes , a hamsa ou hamesh é um amuleto em forma de mão estilizada, conhecida como "cinco" em árabe ou hebraico (lembrando que árabes e hebreus são o povo semita). O símbolo é conhecido como mão de Fátima, no Oriente Médio e tem como papel proteger contra o mau olhado.
Mão de Fátima em prata, Marrocos.


O dicionário de simbologia de Manfred Lurker indica que a mão simboliza felicidade, força e bênção.

https://insta.orenya.com/tag/Hamesh


O livro Símbolos místicos: um guia completo para símbolos e sinais mágicos e sagrados, a mão de Fátima significa o poder espiritual e temporal, além de força, proteção e dominação. No Islamismo, o signo representa os cinco pilares da fé muçulmana: fé, prece, peregrinação, jejum e caridade. Também simboliza a família de Fátima, seu pai Maomé, ela, seu esposo Ali e seus dois filhos Hassan e Hussain.


Além de ser um pingente que pode ser carregado no pescoço, a hamsa é também usada na decoração como adesivos, peças em porcelana, metais variados, quadros, tapetes, mantas e roupas de cama. Quem quiser incorporar este antigo e importante símbolo de proteção vai contar com uma variedade de objetos para auxiliar na tarefa essencial do dia de hoje: ajudar a nos livrar do mal:
https://www.bemcolar.com/quadro-decorativo-mao-de-fatima

https://www.elo7.com.br/adesivo-parede-hamsa
https://pt.aliexpress.com/item/Hamsa-Hand-Indian-Mandala-Floral-Multifunction-Tapestry

https://www.americanas.com.br



https://pt.aliexpress.com/item/Hamesh-Hamsa-Hand-of-Fatima-Eye-Polyester-Indian

Que possamos renovar todos os dias nossa intuição e recordar que ter fé, fazer nossas preces ou orações e ajudar aos outros nos aproxima cada vez mais de Deus.
Um beijo e até logo:
Andreia Regina
@blogterapiadacasa


domingo, 24 de dezembro de 2017

A missão do homem de bem


            Chegou o Natal e como todos os anos, as pessoas se enchem do desejo de festejar e presentear aos que querem bem, mas quantos se lembram de serem presença benéfica o ano todo? Quantos lembram que antes de comemorar o Natal é preciso celebrar o nascimento do nosso modelo maior, nos apresentado pelo Cristo? Vive-se a corrida aos shoppings em busca dos presentes ideais, mas falta uma outra procura, que são dos sentimentos e virtudes que nos tornem pessoas de bem não apenas na noite de Natal, mas durante todas as noites de nossas existências, pois estamos aqui em uma missão de transformação moral.

            A generosidade é louvável nessa época, mas ela é vazia de sentido se não estiver revestida da caridade e abnegação desinteressada. O final do ano é a época ideal para se fazer um balanço geral sobre como anda nossa vida, mas acima de tudo, para estudar nossas próprias fraquezas e imperfeições e descobrir como podemos ser melhores na missão que nos foi dada: ser homens e mulheres de bem.

            Na obra O que é o espiritismo, Kardec compartilha o conhecimento da Lei divina de que precisamos desenvolver qualidades morais e intelectuais para assim agirmos no caminho do bem (KARDEC, 2009, p.158). Ora, sabe-se que o caminho do bem passa pela caridade, que é o exercício de todas as outras virtudes necessárias para cada espírito encarnado evoluir moralmente e auxiliar os irmãos de caminhada no seu progresso.

            E como podemos realizar nossa missão no bem? Através do amor e do perdão, fazendo tudo de bom e útil que nos for possível, mantendo a fé em Deus e na sua infinita misericórdia e sabedoria.  A aceitação das provas e expiações sem queixas e murmúrios é outra tarefa que nos auxilia em nossa missão, tendo em vista que assim compreendemos que cada obstáculo que se coloca em nosso caminho é oportunidade de correção do curso de uma existência anterior e assim, retomar nossa jornada rumo à Pátria espiritual.

            Mesmo diante dos infortúnios, entender que fazer o bem pelo bem é nossa obrigação, deixando de lado a vaidade, o orgulho, a inveja e a avareza, sendo indulgentes com as fraquezas alheias e praticando o altruísmo na perspectiva que: “O homem de bem é bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças, nem de crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus”. (KARDEC, 2013, p.233)

            O espírito Emmanuel, em página inspiradora nos fala da necessidade do bem, nos lembrando que: “Nunca é demais repetir a necessidade de perdão, bondade e otimismo, em nossas fileiras e atividades”. (EMMANUEL, 2013. p.369)

            É o bem que nos conduz para o Alto, somente ele é a centelha de perfeição que o Pai Celestial nos dotou para que possamos ser bons, justos, fraternos e assim evitar o mal, pois o homem e a mulher de bem: “Não alimenta ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; a exemplo de Jesus, perdoa e esquece as ofensas e só dos benefícios se lembra, por saber que perdoado lhe será conforme houver perdoado”. (KARDEC, 2013, p.233).
Natividade, afresco do pintor italiano Giotto.


            A missão do bem nos aproxima de Jesus Cristo que a cada ano renasce em nossos corações e mentes nos pedindo para praticar sua Lei de Amor e caridade, pois: “A caridade é a lei suprema do Cristo: Amai-vos uns aos outros como irmãos; amai vosso próximo como a vós mesmos; perdoai os vossos inimigos; não façais a outrem o que não gostaríeis que vos fizesseis. Tudo isso se resume na palavra caridade. (KARDEC, 2009, p.165).

EMMANUEL. Fonte Viva. Brasília: FEB, 2013. Psicografado por Francisco Cândido Xavier.

KARDEC, Allan. O que é o espiritismo. 74 ed. Araras, SP: Ide, 2009.

KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. 131 ed. Brasília: FEB, 2013.


Artigo publicado no jornal da Seara Espírita Francisco de Assis, Parnamirim-RN Dez/2017


domingo, 17 de julho de 2016

Maternidade e missão



Olá todo mundo. Saudades de conversar com vocês. Os últimos meses foram de muita luta e dor na nossa família com a partida de meu amado sogro e segundo pai para a pátria espiritual, mas, quatro meses após sua partida, é hora de retomar o ritmo da vida e recomeço hoje compartilhando com vocês um artigo que escrevi dois meses atrás e foi publicado no Jornal O Seareiro, ano VII, edição nº 30.
No artigo, discuto o papel da maternidade na vida das mulheres, sejam elas mães pelos laços de sangue ou pelos laços espirituais.
Espero mesmo que gostem da leitura e que possamos retomar nossa terapia da casa. Um forte abraço e muita luz.


Ao longo dos milênios, abundaram exemplos edificantes de mães que se consagraram no exercício da maternidade, compreendendo a tarefa como uma missão dada pelo Pai Celestial e que deve ser cumprida com responsabilidade, amor e zelo. Maria, aparece como um dos mais sublimes modelos de maternidade, quando se torna veículo da vinda do filho de Deus e assume o papel de educá-lo, acompanhá-lo e encorajá-lo nos momentos mais difíceis de sua jornada no plano terreno.
Na ciência antropológica, defende-se que a maternidade é uma construção cultural, que se desembaraçou dos impulsos instintivos muitas eras atrás. Ou seja, o sentimento de ser mãe na concepção de uma tarefa missionária ainda não é entendido por muitas, que esquecidas dos compromissos estabelecidos no plano espiritual, tratam sua prole com negligência, abandono e desinteresse.
Sobre a função da mulher diante da maternidade, Cury (2015, p.26), nos informa que: “O seu papel era imenso, portanto, e enorme a sua responsabilidade, haja em vista que a ela cabia preparar o homem futuro (seu filho ou seus filhos) no sentido de seres humanos encarnados – homens e mulheres”.
Sendo a família o espaço das primeiras sociabilidades do indivíduo, cabe então à mulher, no papel de mãe desempenhar os primeiros cuidados e assegurar o afeto necessário para o pleno desenvolvimento psicossocial da criança. Graças à bênção do esquecimento de nossas vidas passadas, adentramos em uma família sem lembrar dos desafetos ou laços de ternura que nos envolviam, podendo assim retomar uma nova existência para promover a união harmoniosa entre os familiares ou aparar as arestas necessárias no nosso caminho evolutivo.
Mas de onde advém esse compromisso da mulher para a maternidade? A espiritualidade amiga nos esclarece essa questão no Livro dos Espíritos, na pergunta de número 821, formulada pelo Codificador Allan Kardec (2006, p.427):
- As funções a que a mulher é destinada pela natureza terão importância quanto as deferidas ao homem?
- Sim, maior até. É ela quem lhe dá as primeiras noções da vida.
Ou seja, enquanto seres sociais e culturais, somos dependentes desde o momento do nascimento da figura materna, que nos alimenta ao seio ou nos coloca sobre seu peito para que possamos sentir seu calor maternal. Sendo assim, o filho ou filha, exige afago e afeto, para que se desenvolva um apego saudável. Essa mãe, então, precisa ser nos termos da psicologia, uma mãe suficientemente boa para amar e instruir nos primeiros passos pela vida.
Sobre esse aspecto, Franco (2015, p.12), nos informa que: “Quando procria com responsabilidade atinge um dos momentos clímax da existência, especialmente quando se torna consciente do significado da progenitura”.
O conhecimento do significado da progenitura se aplica tanto ao homem quanto à mulher, sendo tarefa conjunta educar e orientar os filhos nos caminhos terrenos. Mas quando a consciência desse papel não se instala, assistimos tristemente os casos de aborto, violência e perversidade que se revelam instrumentais para o desalinho da sociedade e que conduzirão à terríveis provações aqueles que se negaram a assumir o compromisso estabelecido anteriormente ainda no plano espiritual. Como nos adverte Franco (2015, p.32): “Os filhos são responsabilidades sérias que não podem ser descartadas sem as consequências correspondentes”.
E quando os filhos biológicos não chegam? Aí ocorre o que chamamos de maternidade afetiva, quando homens e mulheres entendedores da importância da maternidade para burilamento de seu espírito e prova para evolução moral individual, buscam reencontrar aqueles espíritos que já cruzaram seus caminhos em outras reencarnações para dessa maneira, continuarem com a sua missão terrena.
O próprio Jesus de Nazaré nos revelou o papel dos laços espirituais na construção das afinidades que nos reúnem nas famílias, mostrando o lar como espaço privilegiado para o amor ao próximo e exercício da caridade. É Santo Agostinho (2004, p.279) que nos faz o alerta:
“Ó espíritas! Compreendei agora o grande papel da Humanidade; compreendei que, quando produzis um corpo, a alma que nele encarna vem do espaço para progredir; inteirai-vos dos vossos deveres e ponde todo o vosso amor em aproximar de Deus essa alma; tal a missão que vos está confiada e cuja recompensa recebereis, se fielmente a cumprirdes. Os vossos cuidados e a educação que lhe dareis auxiliarão o seu aperfeiçoamento e o seu bem-estar futuro. Lembrai-vos de que a cada pai e a cada mãe perguntará Deus: Que fizestes do filho confiado à vossa guarda?”.
Assim, a maternidade é uma missão de suma importância para evolução dos espíritos encarnados e progresso moral da sociedade em conjunto. Maria João de Deus, mãe do caridoso e amado Chico Xavier, provou que o amor materno sobrevive ao túmulo, pois mesmo depois de desencarnada nunca deixou de trazer alento e afago ao filho querido, deixado para cumprir outra missão na terra. Que todos possamos lembrar da nossa missão, seja no papel de filhos, seja enquanto pais.
Muita luz!
Referências bibliográficas:
CURY, Antônio Moris. O papel da mulher. In: Anuário Espírita 2015. Mulheres, cristianismo e espiritismo. São Paulo: Ide, 2015.
FRANCO, Divaldo. Constelação familiar. 3.ed. Salvador: Leal, 2015. Pelo espírito de Joanna de Ângelis.
KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o espiritismo. Com a explicação das máximas morais do Cristo em concordância com o espiritismo e suas aplicações às diversas circunstâncias da vida. 124. ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2004.
____________. O Livro dos Espíritos. Princípios da doutrina espírita. 84. ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2006.





sexta-feira, 17 de agosto de 2012

A porta azul e seus sentidos

A antropologia me deu a possibilidade de ver com um olhar mais relativista muitos aspectos da cultura humana. Entre eles, aprendi a importância da porta, como símbolo para a divisão entre dois espaços, o mundo da rua e o mundo da casa. Para o antropólogo brasileiro Roberto DaMatta, essa simbologia permeia a nossa cultura de forma que associamos o bom e pacífico ao ambiente familiar, de dentro da casa, e o caos e a sujeira com a rua, o que está fora da porta.
Ouro Preto-MG

Em várias tradições religiosas, essa simbologia se repete, inclusive no cristianismo encontramos diversas relações entre a porta e a salvação. E a porta azul? Qual a razão de encontrar tantas  em vários países e culturas?Acredita-se que seu uso em algumas culturas também se justifica por ela representar o céu, o mar, o infinito e a espiritualidade. Logo, a porta azul é um marco de proteção  que tanto representa amplitude (céu e mar) quanto espiritualidade e divindade (Jesus, Maria, Céu, Krishna, Vishnu, Afrodite, Hera, Zeus). Nas minhas pesquisas antropológicas, descobri que nos países ao redor do Mediterrâneo, a porta é sempre pintada com a cor azul, para afugentar os espíritos malignos e as forças negativas. 
Fechadura e porta azul de uma casa antiga em Ouro Preto-MG

Sempre me encantei com o uso das cores em determinadas sociedades e o predomínio do branco e azul nas culturas mediterrâneas foi algo que sempre me agradou muito.
Na minha recente e saudosa viagem pelas terras das gerais, encontrei muito azul e branco, seja na arquitetura, na cerâmica, ou nas pinturas. 
Porta azul na lateral da Igreja do Carmo.
Ouro Preto- MG

O azul é uma cor que representa ainda lealdade, devoção religiosa, amizade e verdade.


http://affairwithcolor.com/use-color/354718721_36fff662b7/
Nos países do norte da África, encontramos muitas portas azuis ricamente decoradas, como a seguinte:

Porta azul decorada na Tunísia.
http://goafrica.about.com/od/tunisia/ig/Sidi-Bou-Said--Tunisia/Typical-Blue-Painted-Door--Sid.htm
O Marrocos já invadiu nosso imaginário a partir de uma famosa novela exibida em 2002, lembram do Clone? E que tal uma belíssima porta marroquina?
http://journals.worldnomads.com/algrange/photo/31933/827803/Morocco/Behind-the-blue-door

E quem não se atreveria a atravessar uma porta azul na ilha de Santorini?
Santorini, Grécia.
http://www.etsy.com/listing/82243063/turquoise-door-santorini-greece-photo
Ou essa outra porta:
http://www.lowryphotos.com/gallery/greece/greece.htm

E que tal viajar pelos campos da Itália e cruzar com uma porta azul da Toscana?
Pode acompanhar todo o tour a partir do link. Lindas imagens.
http://mysampleday.com/index.php/2011/12/15/one-day-of-a-wine-expert-in-toscana-province-italy/
Para mim, uma porta azul é especial apenas por ser azul, mas se ela tiver uma linda moldura em cantaria, ou simplesmente galhos de uma planta como o bouganville ou até mesmo um pequeno objeto decorativo, não importará o cenário de fundo, mas apenas que aquela porta azul simbolizará uma passagem para um lugar mais tranquilo e acolhedor, como devem ser nossos lares.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Uma limpeza na alma da casa: Feng Shui

Quem nunca sentiu um clima pesado na casa que atire o primeiro punhado de sal grosso. Mesmo vivendo em um mundo marcado pela revolução tecnológica e a ausência de contato com o divino, sabemos que o mundo espiritual é uma realidade e que nele habita o bem e o mal. Nós também somos seres de bondade e de maldade e algumas vezes esquecemos da face pura e fazemos uso daquilo que pode existir de pior: inveja, ganância, orgulho, avareza, destempero emocional, dificuldade de se colocar no lugar do outro, indiferença.
Os sentimentos e ações negativas não atingem somente nossa mente e coração, mas contaminam nosso lar, que é a residência de nosso corpo físico e de nossa alma. Por isso, hoje vamos falar de equilíbrio e harmonia da casa a partir dos princípios desenvolvidos pelo Feng Shui (pronunciar fâng shuêi).
Da minha parte, desde que entrei em um ritmo frenético de produção da tese que tenho descuidado da energia que nos envolve. A casa está reformada e tudo que estava quebrado ou danificado foi substituído ou consertado. Não há lixo acumulado e não tenho coisas antigas paradas e sem uso. Mas só isso não basta. A casa deve ser o lugar de oração e fé e isso vocês já viram no post que trata da presença de um altar em casa. Lembram?
Também é o lugar de circulação de boas energias e os chineses criaram um método para auxiliar na preservação da harmonia no nosso lar. Vamos começar pelos princípios básicos e depois trataremos de como colocar em prática algumas sugestões.
O primeiro símbolo é o Yin e Yang.
http://camoconnect.com/profiles/blogs/yin-and-yang
Segundo Brenda Mallon (2009:114), Yin e Yang representam a fusão de duas forças cósmicas numa só, também é conhecido como taiji ou tai-chi.  O símbolo é um círculo dividido por uma linha curva com um lado escuro que representa o princípio do feminino, a escuridão e a energia passiva e um lado branco, que representa o masculino, a luz e a energia ativa. O conceito mais importante é refletir que cada metade carrega um pedaço do outro, o que demonstra equilíbrio entre as partes e remete a necessidade de atingir a perfeição entre elementos contrários.
http://mor.phe.us/writings/Yin-Yang.html

Já Dale Nibbe (2009) nos indica que Yin e Yang são opostos complementares e que um não existe sem o outro. Ambos são responsáveis pela harmonização e nenhum dos dois é ruim ou bom. Na arquitetura, Yin remete ao espaço vazio com a presença de curvas, já o yang explora as estruturas sólidas e as linhas retas.

Outro elemento importantíssimo são os trigramas do I Ching.  O I Ching é um texto essencial do taoísmo, também chamado de Livro das Mutações. Funciona como um oráculo e combina oito trigramas chamados pakuas que representam 64 hexagramas. Os trigramas simbolizam a relação do universo com o fluxo constante entre o yin e yang. (MALLON, 2009: 112).
Os oito trigramas os oito presságios e seus significados são:
Chien (Ch'ien)- reputação. Significa o criativo (yang). Seu elemento é o metal, seu animal é o cavalo. É símbolo de força, poder e persistência.
Kun-  (K'un)- carreira. Representa o receptivo (yin). A terra é seu elemento e a vaca com bezerro são seus animais. Remete a família, obediência e submissão.
Chen- filho. É o iniciador que determina a tomada de decisão, movimento e crescimento. O elemento é a grande madeira e o animal é o dragão.
Sun (H'sun)- saúde.  Representação da filha mais velha e do vento. Seu elemento é a madeira pequena e seu animal um galo (representação da oportunidade e confiança).
Tui- dinheiro. Remete ao alegre, e representa a filha mais nova, a felicidade e a celebração. O elemento principal é o metal pequeno e aconselha o afastamento das preocupações.
Ken- amigos. A montanha representa o filho mais novo, mistério e expectativas. O elemento é a terra pequena e remete a morte e novos começos.
Kan (K'an)- prazer. O abismo, simboliza o filho do meio, perigo e advertências. O elemento principal é a água e a estação é o inverno. Remete a tristeza, trabalho duro e dificuldades.
Li- educação. O apegado, remete a filha do meio e dependência. Seu elemento é fogo, sol, brilho, calor e sugere o potencial.
http://taekwondo.zi-yu.com/conteudos/poomsaes/poomse-taegeuk/
No site I Ching, o Livro das Mutações, encontramos muitas explicações sobre os trigramas, os presságios e seus significados. Vale a pena conferir para quem deseja se aprofundar.
http://ichingolivrodasmutacoes.blogspot.com.br/2011/10/dos-trigramas.html
E como o Yin e Yang se relacionam com o I Ching? Vejam o diagrama abaixo:

Para Manfred Lurker (2003:772), da união entre yin e yang surgem os cinco elementos, madeira, terra, fogo, metal e água que conduzem a evolução dos fenômenos da natureza e constituem a base do surgimento das "dez mil coisas". Entre os símbolos do yin temos a lua, a água, o tigre e o chumbo, como símbolos do yang temos o sol, o fogo, o dragão e o mercúrio.

E como aplicar esses princípios em nossa casa? Anne Adelaide Lennormand (2008: 60-72) nos informa as muitas maneiras de aplicá-los. Que tal aprender algumas?
A frente de sua casa deve estar pintada, limpa e com plantas saudáveis. Tenha flores na entrada da casa, favorece as boas visitas.
A porta de entrada é o ponto mais importante de sua casa. Ela deve abrir-se totalmente, sem qualquer empecilho.
A sala de estar precisa ser um ambiente acolhedor e confortável. Use almofadas, plantas e cores claras e vivas.
A cozinha remete a nutrição e reúne tanto a água quanto a abundância. Nada de desperdício, lixo acumulado ou vazamentos.
O quarto é o lugar que repomos nossas energias e precisa estar sempre limpo, organizado, arrumado e ventilado. Mesmo quem não suporta arrumar a cama como eu, deve fazer um esforcinho.
O banheiro o ponto da casa onde as energias fogem, por isso sempre deixe a tampa do vaso abaixada e a porta fechada.  Deve ser limpo, arrumado e desinfetado. Evite excesso de decoração no banheiro e tenha sempre uma plantinha no espaço.
Eu me preocupo muito com os princípios do feng shui, mas nem sempre consigo colocar tudo em ordem, mas espero me tornar mais consciente sobre a necessidade de equilibrar as energias do universo e assim ter um ambiente saudável, próspero e acolhedor. Para saber mais:
LENNORMAND, Anne Adelaide. Harmonia. Formas mágicas de equilibrar o lar. Rio de Janeiro: Ediouro, 2009.
LURKER, Manfred. Dicionário de simbologia. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
MALLON, Brenda. Os símbolos místicos. São Paulo: Larousse, 2009.
NIBBE, Dale. Feng Shui. Resumão. São Paulo: Barros, Fischer e associados, 2009.

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